Francisco Simim, que faz parte da equipe de defesa de Bruno e Dayanne Souza, ex-mulher do goleiro, seria então o defensor do ex-jogador do Flamengo. Contudo, Bruno novamente se dirigiu à juíza e também destituiu Simim. Ele afirmou que não gostaria de prejudicar a defesa de Dayanne. O promotor Henry Castro pediu então que o desmembramento do julgamento ocorra com relação a Dayanne, que aguarda em liberdade, e não Bruno. O pedido foi aceito e o arqueiro será defendido por Simim, sem prejudicar a ex-mulher.
O goleiro Bruno ficou sentado no banco dos réus, em Minas, ao lado da ex-mulher Dayanne Rodrigues | Foto: Divulgação
O goleiro Bruno ficou sentado no banco dos réus, em Minas, ao lado da ex-mulher Dayanne Rodrigues | Foto: Divulgação
Por determinação da magistrada, a ex-mulher de Bruno será julgada junto com Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de quatro crimes no caso Eliza Samudio. A ex-mulher do goleiro Bruno chorou no plenário. "A senhora está liberada", disse a juíza Marixa. Dayanne deixou o tribunal pelo portão dos fundos, sozinha. Antes de entrar num táxi, disse apenas que estava passando mal.
Em entrevista, Rui Pimenta diz que foi surpreendido pela decisão de Bruno e que o réu optou por uma nova estratégia. Ele afirmou que está com seus honorários em dia e que respeita a decisão do cliente. "O Bruno mudou de estratégia. Tenho que cumprir o desejo do meu cliente, mas foi uma surpresa. Torço para que tudo dê certo para ele", comentou.
O advogado ainda negou que sua saída seja uma estratégia de defesa. "Eu não posso dizer que foi estratégia, foi uma opção pessoal dele (Bruno). Eu sou servo do desejo do cliente".
Advogados de Bola recebem multa
A juíza Marixa determinou, nesta terça-feira, multa de R$ 18.660 para o advogado Ércio Quaresma, que defendia Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e abandonou o julgamento no primeiro dia. Também pagarão o mesmo valor os advogados Fernando Magalhães e Zanone Manoel de Oliveira Junior. Os defensores terão 20 dias para pagar a multa à Justiça.
O primeiro dia do julgamento do goleiro Bruno e mais quatro réus do desaparecimento e morte de Eliza Samudio no Fórum de Contagem foi marcado por atritos entre a magistrada e os advogados de defesa. "Se ela (juíza) continuar, vai fazer o julgamento sozinha. Vou embora", ameaçou Ércio Quaresma antes de abandonar a defesa de Bola.
Quaresma alegou que, desde a sua entrada no plenário, o direito de defesa dos réus foi cerceado pela magistrada. O advogado disse que pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). "Tenho a presença aqui de Luiz Flávio Gomes, não preciso de mais nada", avisou, referindo-se a um dos mais renomados criminalistas do País, que está presente na plateia do Tribunal de Justiça de Contagem.
Reclamações antes de abandono
O defensor de Bola pediu que o tribunal disponibilize uma cópia da mídia usada durante o julgamento e alegou que precisa ter o equipamento disponível em seu computador para ter direito à defesa plena. A mídia solicitada pelo advogado é a transmissão em vídeo dos depoimentos dos réus e testemunhas.
Quaresma afirmou que, em ocasiões anteriores, a cópia não foi disponibilizada para a defesa. A juíza, por sua vez, afirmou que disponibilizou as imagens, de acordo com o direito de preservação de imagem das testemunhas. Caso quisessem, os advogados poderiam copiar tanto as filmagens dos interrogatórios dos réus, quanto das testemunhas.
"Tem dois anos que o processo está em curso e a defesa poderia ter solicitado as imagens", afirmou, categórica, a juíza Marixa Fabiane, após nova tentativa do advogado de tumultuar o início da sessão. 
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Noiva de Bruno, Ingrid (à esquerda) acompanha julgamento | Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Relembre o caso
A modelo paranaense Eliza Samudio teve um caso com o ex-goleiro do Flamengo. Depois de engravidar, afirmou que o pai da criança era Bruno. De acordo com a investigação da Polícia Civil, para se livrar das cobranças, Bruno teria planejado o assassinato de Eliza, então com 25 anos. A criança nasceu em 2010.
A vítima foi sequestrada em 4 de junho de 2010 na Barra da Tijuca. Dormiu na casa de Bruno no Recreio dos Bandeirantes e chegou ao sítio em Minhas Gerais dia 6. Ela teria sido assassinada no dia 10 do mesmo mês.
São julgados Luiz Henrique Romão, o Macarrão, amigo do atleta, Dayanne Souza, ex-mulher de Bruno, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do jogador. O adovogado do ex-policial civil Marcos Aparecido Santos, o Bola, ércio Quaresma, deixou o júri e seu cliente será julgado separadamente.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, partes do corpo de Eliza foram entregues para cachorros e os ossos da vítima, concretados no mesmo terreno em que ela teria sido assassinada, um sítio em Esmeraldas (MG), propriedade de Bruno. Nada foi encontrado até hoje.