BOLETIM DE OCORRÊNCIAS

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Doutora Aleluia não tira a farda mesmo após se aposentar: ‘me casei com o Bope’


UM EXEMPLO QUE OS MÃO DE MACACO TEM QUE TOMAR



Doutora Aleluia ganhará um posto na sede do Bope, com o nome dela Foto: Fernanda Dias
Camila Elias - camila.elias@expresso.inf.br
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“Alô. Doutora Aleluia, um policial foi baleado”. Há 20 anos, Aleluia Matteotti de Sant'Anna, de 63 anos, a primeira mulher do Bope, atende a essas chamadas e às principais operações dos caveiras. E faz questão, por amor. Aposentada pela Polícia Militar há dez anos, ela ainda veste a farda, sem esperar salário no fim do mês. A recompensa é a satisfação: por cada missão dada, missão cumprida.
- Quanto mais perigosa é a operação, mais os policiais do Bope precisam estar bem e mais satisfação me dá. Eles sabem que se eu não puder socorrê-los sozinha, vou levá-los para um hospital e não para o posto mais próximo - conta a doutora, que trabalha como cirurgiã-geral também fora do Bope e abre mão de compromissos para estar junto dos caveiras.
Aleluia não pede para sair nem em tiroteio. De mochila nas costas, lá vai ela por ruas, becos e vielas, quando alguém está ferido.
- Coloco o material de emergência nas costas e me desligo, não me preocupo comigo. Uma vez fui socorrer um policial na Vila Cruzeiro, durante um tiroteio. Estava escuro. Com ajuda de uma lanterna, consegui encontrá-lo. Fiz um curativo e esperamos amanhecer para sair de lá. Não tive medo -— lembra a médica.
A médica atende aos chamados do Bope há 20 anos
A médica atende aos chamados do Bope há 20 anos Foto: Fernanda Dias
Mandou ver na pacificação
Em operações de pacificação, Aleluia também é faca na caveira.
- A ocupação do Complexo do Alemão foi braba. Houve uma preparação e uma expectativa muito grande da tropa. A comunidade também estava tensa. Já a Rocinha foi mais tranquila, os moradores estavam sociáveis. Fiquei irritada por não participar da ocupação de Manguinhos e Jacarezinho. Estava doente, acompanhei pelo celular, trocando SMS.
Aleluia, que reserva lugar na farda para o batom e o protetor solar, é só orgulho por ter trocado o salto pelo coturno.
- Antes do Bope, trabalhava de salto 15, como médica, no Palácio Guanabara. Hoje, fico me achando quando visto a farda preta. Comecei no batalhão usando branco. Desde que ganhei o uniforme, numa operação noturna em 98, me sinto igual aos combatentes.
Diante da paixão pelo Bope, candidatos a marido podem ouvir: “nunca serão”.
- Eu me casei com o Bope, e sou mãezona de todos. Estou solteira porque nenhum namorado entendeu o meu trabalho. Em algumas missões, como os treinamentos do Bope, passo semanas fora de casa. Eu também não entenderia.
Ela é a primeira mulher a entrar no Bope
Ela é a primeira mulher a entrar no Bope Foto: Fernanda Dias
E, neste caso, o amor é recíproco. Aleluia já ganhou duas medalhas da PM e terá um posto de saúde na sede da Tavares Bastos com o nome dela.
- Não saio mais do Bope, nem quando morrer. Minhas cinzas serão jogadas nessa sede. Enquanto eu tiver saúde, estarei de prontidão.
Aleluia!


Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/doutora-aleluia-nao-tira-farda-mesmo-apos-se-aposentar-me-casei-com-bope-7164168.html#ixzz2GyuYHy5E

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