Rio -  "Quando tudo parece estar perdido; É nessa hora que você vê; Quem é parceiro, quem é bom amigo; Quem tá contigo, quem é de correr”. Seguindo o lema de sua música ‘Quando a gira girou’, o cantor Zeca Pagodinho, morador de Xerém, arregaçou as mangas e foi às ruas ajudar os afetados pela chuva. Também fez críticas aos governantes: “Políticos, dá nojo dessa gente, bandida”, disse à noite em entrevista à Band.
“Arrumei cestas básicas e dei tudo o que tinha na geladeira. Minha mulher nem sabe o que vai fazer para o almoço”, contou Zeca, sem deixar a irreverência de lado. Desde as 6h, percorreu ruas em seu quadriciclo, recolheu e doou roupas, colchões e cobertas.
Parte de sua casa, que fica às margens do Rio Capivari, foi inundada. O gado e os cavalos precisaram ser transportados. Animais menores, como cabras e coelhos, morreram. “O importante é salvar as pessoas. O resto a gente arruma”, disse.
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Zeca Pagodinho saiu de casa para prestar socorro aos vizinhos | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
A pedido da filha, o cantor abrigou dezenas de crianças e amigos que perderam tudo. “Não caiu a ficha. Toda minha vida estava naquela casa”, lamentou o pedreiro Leonardo de Oliveira, 30, que está acomodado em um quartos da casa do cantor com a esposa, Raylua, e dois filhos.
No dia do aniversário do motorista Severino Ribeiro, 36, o ‘presente’ foi ficar vivo. No terreno de sua casa, onde viviam ao menos outros 20 familiares, a impressão era a de que uma bomba havia explodido. A água levou pelo menos quatro casas do endereço e um carro.

Chuva causa estragos na Baixada

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Diversos bairros ficam alagados e moradores sofrem com a força da água. Xerém, distrito de Duque de Caxias, foi o lugar mais afetado
“Estou com roupa dos outros, não tenho mais nada. Perdi o que fiz em 21 anos”, disse Severino, que veio da Paraíba ainda adolescente. No terreno, um bar e um prédio de três andares, foram, respectivamente, soterrados e destruídos. “O prejuízo é de R$ 60 mil”, lamentou o comerciante Manoel Alves, 56.
O aposentado José Porcidônio da Silva, 66, morador do Ponto Final, foi arrastado pela enxurrada, mas se arragou a um poste e foi salvo por vizinhos. Sua casa foi destruída. Perto dali, a família de Sueli Basílio, 59, tentava salvar pertences em meio à lama. “Em 16 anos, é a primeira vez que o rio sobe assim”, contou.
Prefeito anuncia indenização social e Cabral cria um gabinete de crise
Nesta quinta-feira de manhã, o prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso, decretou estado de emergência em Xerém. Ele anunciou ainda que receberá recursos de R$ 25 milhões a R$ 35 milhões do governo federal para recuperação das áreas castigadas.
Segundo o prefeito, 150 casas foram condenadas. Os imóveis serão demolidos, e os moradores, que estão em abrigos da prefeitura, receberão indenização social.
Como primeira medida, o prefeito quer reconstruir três pontes de Xerém. Mil desalojados estão em casas de parentes e em três abrigos.
O governador Sérgio Cabral determinou a criação de um gabinete de crise na sede da Defesa Civil, na Praça da Bandeira. De lá, o secretário do órgão, Sérgio Simões, passou a se reunir com representantes de outras secretarias para definir o plano de ações para áreas afetadas e acompanhar as ocorrências registradas. Em reunião com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, Cabral também discutiu medidas emergenciais.