Rio -  O pastor evangélico Marcos Pereira, da Assembléia de Deus dos Últimos Dias, preso na noite desta terça-feira, pode estar envolvido em mais 20 casos de estupro. Segundo o delegado Márcio Mendonça, da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), foram ouvidas 30 testemunhas que citam o nome de 20 pessoas que seriam vítimas do religioso. 
A Polícia Civil informou que as investigações começaram há um ano, após denúncias dolíder do AfroReggae, José Junior, sobre supostas ameaças que o pastor teria feito ao grupo, e apontam que ele estuprou seis mulheres, sendo três menores. Cinco dos seis inquéritos que apuram os estupros já foram encaminhados à Justiça. Destes, dois já resultaram em processos com mandados de prisão preventiva contra o religioso.
Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia
Pereira (à direita) foi preso na Baixada | Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia
"Ele (Marcos Pereira) fazia com que as mulheres se sentissem culpadas, possuídas pelo demônio. Ele se aproveitava da fraqueza da pessoa, mas em pelo menos dois casos agiu com violência", afirmou o delegado durante entrevista coletiva nesta quarta-feira, na sede da especializada, no Andaraí.
Além dos abusos, de acordo com o delegado, o pastor seria o mandante do assassinato de uma jovem em 2008. Mendonça disse ainda que ela teria sido estuprada pelo religioso e acabou morta ao ameaçar contar o crime à polícia. Entre os três condenados pelo assassinato está o sobrinho do religioso, que não tem formação superior e ficará preso em uma cela comum no Complexo de Gericinó.
Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
Pastor é preso pela Polícia Civil | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
"Há relatos de testemunhas que ele (Marcos) fazia orgias com pessoas do mesmo sexo em Copacabana e na igreja em São João de Meriti. Os casos aconteciam com mais frequência no gabinete dele na igreja", disse Mendonça. O imóvel na Zona Sul está em nome da igreja e avaliado em R$ 8 milhões.
O pastor Marcos ainda é investigado por associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e homicídio. De acordo com ele, a maioria das vítimas tinha medo de denunciar o pastor à polícia.
"Com a prisão acredito que possam surgir outras pessoas que foram estupradas por ele", completou o delegado.
Testemunhas ouvidas disseram ainda que o religiosos abrigava criminosos armados dentro da igreja frequentemente. "Há relatos que confirmam que a salvação de traficantes era armada, um teatro, combinada antes".
Uma das denunciantes de estupro, ainda segundo o delegado, é a ex-mulher do pastor. Outra contou à polícia que foi abusada dos 14 aos 22 anos. Os mandados de prisão preventiva foram decretados pelos juízes Richard Fairclough, da 1ª Vara Criminal de São João de Meriti, e Ana Helena Mota Lima, da 2ª Vara Criminal da mesma comarca.
Segundo o delegado, algumas vítimas se conheciam e prestavam serviço voluntário na igreja. Marcos Pereira nega os crimes.
Famoso por intermediar rebeliões e salvar bandidos
O pastor ficou famoso por intermediar rebeliões em presídios e por supostamente converter traficantes para a igreja. Pereira também teve destaque no noticiário ao negociar a libertação de vítimas, que, segundo ele, seriam assassinadas em tribunais do tráfico de drogas em morros e favelas do Rio.
O pastor chegou a trabalhar em parceria com a ONG AfroReggae, na recuperação de jovens envolvidos com o tráfico de drogas e traficantes que cumpriram penas. A parceria acabou depois de troca de acusações entre o pastor e o líder do AfroReggae, José Júnior.
Segundo Júnior, Pereira teria envolvimento nos atentados cometidos por líderes do tráfico em 2006, com vários ônibus incendiados na cidade. Na ocasião, em 2012, José Júnior disse ainda que, se fosse morto, o culpado seria o pastor.
Pastor Marcos está preso em Bangu | Foto: Divulgação
Pastor Marcos está preso em Bangu | Foto: Divulgação
Ex-pagodeiro defende pastor
Ex-integrante do grupo de pagode Os Morenos, Waguinho disse que o coordenador do Afroreggae tem inveja do trabalho feito pela ONG do pastor. Segundo ele, oito mil pessoas foram recuperadas do tráfico de drogas com o trabalho de Pereira.
"É uma denúncia (estupro) antiga que até hoje não se tem prova, uma investigação de anos. O pastor sempre se apresentou quando solicitado.. Ele realiza uma obra de recuperação de pessoas que o Brasil, o mundo conhecem", defendeu Waguinho.
Candidato a prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, nas últimas eleições, Waguinho insinuou que a prisão de Marcos Pereira pode ter cunho político. "Todo mundo sabe o que está acontecendo. Estamos chegando em 2014", disse, se referindo às eleições que serão realizado no ano que vem.