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domingo, 30 de junho de 2013

Manifestação que seguiu da Tijuca até o Maracanã termina pacífica

Mais de cinco mil participaram de protesto. Outra passeata deve sair às 16h
Atualizada às 

Alessandro Lo-Bianco
Rio - Terminou de forma pacífica a manifestação que seguiu da Tijuca até o Maracanã, na tarde domingo. Mais de cinco mil pessoas participaram do ato, que tinha como objetivo de seguir até a estátua do Bellini, em frente ao estádio.
Os ativistas colocaram uma faixa com os dizeres Unfair Players (Jogadores Injustos) com o nome da Fifa, do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes. Por dois minutos, os presentes gritaram palavras de ordem na Praça Afonso Pena, ato que marcou o fim da passeata.


Faixa colocada em prédio simbolizou fim da manifestação
Foto:  Alessandro Lo-Bianco / Agência O Dia

Um dos organizadores, o estudante de direito Bruno Amaral, 32 anos, informou que outro ato está marcado para às 15h desta terça-feira na passarela 9 da Avenida Brasil, contra a ação policial na Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, que deixou 10 mortos. 
A partir das 15h, o Fórum de Luta contra o Aumento das Passagens começa a se concentrar no local, em nova caminhada até o Maracanã.
Cordão de isolamento do Choque
O estudante de engenharia da Uerj, Thiago Raposo, endossou a passeata. "Esse protesto tem a finalidade de chegar no Bellini e mostrar que os cidadãos da cidade devem poder ir e vir nas vias pública, com ou sem eventos. Nossa manifestação será pacífica, mas não nos responsabilizamos se os PMs agirem com truculência", disse.
Os manifestantes pararam em frente ao cordão de isolamento na Avenida Maracanã. O tenente Balbino, do Batalhão de Choque (BPChq) disse que não ia deixar os ativistas passarem.


Mais de 5 mil marcharam em direção ao Maracanã
Foto:  Marcos Cruz / Agência O Dia

"Vamos deixá-los por aqui, desde que não passem. Conversei com uma das lideranças do movimento e oriente que, em caso de confusão, todos se sentem para que possamos identificar as pessoas que estão aqui para causar tumulto. Caso não se sentem, consideraremos um ato hostil", afirmou o PM.
Os ativistas se sentaram na via e gritaram palavras de ordem contra a Fifa. Alguns oficiais fardados abordaram alguns presentes e pediram que eles votassem em favor da PEC 300, que iguala os salários de todos os militares do Brasil. A ação foi rapidamente coibida pelos próprios manifestantes.
A dona de casa Laura Lurdes Matos Ribeiro, 32 anos, levou os filhos, um bebê de 1 ano e sete meses e outro de 7 anos ao local e eles seguiram na linha de frente do protesto.


Laura fez questão que filhos, um de 1 anos e sete meses e outro de sete, participassem de protesto. Eles seguiram na linha de frente da marcha
Foto:  Alessandro Lo-Bianco / Agência O Dia

"Essa é uma nova geração. A atual ja esta mostrando um pequeno resultado. É na mão das proximas gerações de que fato o Brasil mudará. Resolvi trazê-los para a rua porque escutei na TV um professor que falou que a educação não vem só de casa, mas também das ruas. Mesmo que aconteça algum imprevisto, quero que desde cedo meus filhos saibam o que está acontecendo", disse.
O mais velho se mostrou animado. "É a primeira vez que participo e já aprendi que precisamos de mais saúde e educação. Gostaria que mais crianças participassem das próximas manifestações", comentou Pedro. O protesto voltou, neste momento, em direção à Rua São Francisco Xavier, na Tijuca.
PMs do Choque jogam bomba em saída de batalhão
Com gritos de guerra, policiais militares do Batalhão de Choque (BPChq) saíram da sede na Rua Salvador de Sá, no Centro do Rio em, pelo menos, 15 carros na manhã deste domingo. Uma bomba de efeito moral foi jogada na rua, qualquer justificativa.
O comboio segue para a Praça Saens Peña e para o Maracanã, onde manifestantes se concentram para dois protestos. O primeiro seguirá em direção à Praça Afonso Pena e o segundo para o Maracanã, onde acontecerá a final da Copa das Confederações.
Reunião da PM com entidades
O Comandante-Geral da PM, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, reuniu-se na manhã desse domingo com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Defensoria Pública do estado, no QG da corporação. A pauta da reunião foi a participação das entidades nas manifestações deste domingo atuando como observadores da atuação da Polícia Militar.
Estiveram presentes à reunião representando a OAB: Wadih Damous, conselheiro federal; Marcelo Chalreo, presidente e Aderson Bussinger, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos. Pela Defensoria Pública, estiveram presentes os seguintes membros do Núcleo de Direitos Humanos: Henrique Guelber, Juliana Moreira e Marcelo Pedrosa.
Além de sugerir que as entidades presenciem no local as negociações com os manifestantes, a Polícia Militar autorizou que os representantes das entidades acompanhem também a ação da PM a partir do centro de imagens do carro-comando do Batalhão de Choque, que ficará estacionado nas proximidades do Maracanã.


Veja as ruas que ficarão interditadas no entorno do Maracanã
Foto:  Arte: O Dia

Trajeto divulgado
Representantes do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio divulgaram nesta sexta-feira o roteiro do protesto e garantiram que farão de tudo para o movimento ser pacífico. Seis mil PMs ficarão no interior do estádio e no entorno, além de 100 viaturas.
Delegacia móvel da Polícia Civil funcionará, a partir das 14h, na Rua Visconde de Itamaraty, próximo ao estádio. Haverá reforço de 470 homens, em 15 delegacias. Além disso, 35 delegacias especializadas, 77 viaturas, dois helicópteros e oito cães estão mobilizados.
A Força Nacional deve ajudar. O Batalhão de Choque usará policiais de moto e um carro de comando e controle, que capta e envia imagens do evento para a cúpula da segurança.

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