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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ato termina com ônibus queimado e destruição

Protesto de professores reuniu 50 mil no Centro e no final, de novo, houve vandalismo. Radicais se espalharam em direção ao Aterro e à Lapa, seguidos pelo Batalhão de Choque

AMANDA RAITER E FELIPE FREIRE
Rio - Uma manifestação que começou pacífica no Centro do Rio com mais de 50 mil professores da rede municipal terminou mais uma vez de forma violenta. No dia em que a greve dos profissionais da educação completou dois meses, milhares de servidores tomaram as ruas do Centro do Rio. Por volta das 20h, grupos de radicais encapuzados do grupo Black Bloc iniciaram depredações em ruas próximo à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia. O prédio Pedro Ernesto foi pichado e as vidraças quebradas. Um ônibus foi incendiado na Rua Santa Luzia e passageiros de diversos coletivos, colocados para fora. Radicais tentaram atear fogo em veículos.
Houve confronto nos arredores da Câmara Municipal
Foto: José Pedro Monteiro / Agência O Dia
Mais cedo, Tribunal de Justiça negou recurso dos professores municipais contra a liminar que determinou o retorno às salas de aula. Por maioria de votos, o Órgão Especial do TJ negou pedido do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ). A Prefeitura do Rio está autorizada a descontar os dias parados dos grevistas. O corte do ponto poderá ser retroativo a 3 de setembro, data em que o sindicato foi intimado da liminar que os obrigou a retornar, sob multa diária de R$ 200 mil.
Radicais destruíram abrigos de ônibus e atiraram placas, lixeiras e morteiros no portão lateral da Câmara
Foto:  Ernesto Carriço / Agência O Dia
Na rua do Quartel da PM
PMs que estavam dentro do prédio da Câmara montaram barreira para evitar a entrada dos radicais. Coquetéis molotovs foram lançados na Casa. Policiais do Batalhão de Choque reagiram lançando bombas de gás. Mesmo com os tapumes, agências bancárias foram quebradas e pontos de ônibus depredados. A 50 metros da entrada principal do Quartel General da PM, grupo se concentrou em um bar e atirou coquetéis molotovs na rua, segundo policiais que estavam no QG. O Batalhão de Choque interveio para impedir a aproximação.
Manifestantes fizeram barricadas de lixo e atearam fogo, além de lançar fogos de artifício. Outros retiraram tapumes para usar no confronto com os PMs. Bancas de jornal e lojas foram atacadas. Da Cinelândia, manifestantes seguiram pelo Aterro do Flamengo e em direção ao Bairro de Fátima. Assustados, motoristas fizeram contramão para tentar fugir. A Câmara Municipal não abrirá nesta terça-feira para passar por perícia policial.
Professores, estudantes e simpatizantes, convocados por redes sociais, começaram a se dispersar às 20h30
Foto:  André Mourão / Agência O Dia
TJ afirma que greve afeta 600 mil alunos
Em sua decisão no Órgão Especial do TJ, o relator Antônio Eduardo Ferreira Duarte argumentou que ‘a conduta da categoria, ao manter o estado de paralisação, gera inúmeros prejuízos e afeta mais de 600 mil alunos da rede pública de ensino, restando configurado o abuso do direito’.
Por sugestão do desembargador Henrique Figueira, o Tribunal de Justiça deve realizar uma audiência de conciliação entre o sindicato e o município, em data ainda a ser marcada. O mérito da ação, sobre a legalidade ou não da greve dos professores, ainda será analisado. Até o momento, foi apreciado apenas o recurso.
Guardas municipais tentam apagar fogo provocado por coquetel molotov que explodiu dentro da Câmara dos Vereadores
Foto:  Ernesto Carriço / Agência O Dia
Sepe condena vandalismo no protesto
Professores, estudantes e simpatizantes, convocados pelas redes sociais, começaram a se dispersar da Cinelândia por volta das 20h30. Manifestantes contrários aos atos de vandalismo criticavam a ação da minoria que se infiltrou no protesto pacífico. 
Duas horas depois, grupos radicais ainda continuavam promovendo quebra-quebra pela região, usando morteiros, rojões e ateando fogos em lixeiras. Próximo aos Arcos da Lapa, no Bairro de Fátima, mascarados ficaram encurralados por policiais do Batalhão de Choque. O Sepe condenou a violência. O sindicato afirma que agentes infiltrados na manifestação iniciaram o vandalismo com a intenção de esvaziar as próximas passeatas.
Ônibus foi queimado durante protesto no Centro do Rio
Foto:  Felipe Freire / Agência O Dia
“Não defendemos atos como incêndio em ônibus e depredação de agências bancárias”, enfatizou Marta Moraes, coordenadora do Sepe. Segundo ela, a manifestação já havia acabado quando o tumulto começou. Um dos diretores, Jalmir Ribeiro, acredita que possa ter havido PMs infiltrados entre os professores e sindicalistas.
Quebra-quebra em São Paulo em apoio ao Rio
Um grupo de mascarados deixou rastro de destruição durante protesto ontem à noite no Centrode São Paulo. O principal alvo dos ativistas foram as agências bancárias, depredadas a paus e pedras. Comerciantes, assustados, fecharam as portas. A polícia interveio e usou gás lacrimogêneo para dispersar o grupo. Uma mulher teve ferimentos na mão e pelo menos três pessoas acabaram detidas.
A manifestação foi em apoio aos estudantes que invadiram a reitoria da USP na semana passada e aos professores em greve no Rio. Curiosamente, os professores do Rio ganham mais do que os de São Paulo: R$ 3.840,16, contra R$ 2.316,02, professor nível I, 40 horas. Agências bancárias e uma lanchonete foram depredadas na Avenida Ipiranga. Na mesma via, manifestantes atearam fogo fogo em sacos de lixo para bloquear a passagem de veículos.
Prefeito recebe estudantes
O prefeito Eduardo Paes recebe nesta terça-feira professores, funcionários, diretores de escolas e pais de alunos da rede municipal. No encontro que acontecerá no Palácio da Cidade, Paes vai tentar esclarecer o novo Plano de Cargos e Salários, aprovado pela Câmara. No sábado, o prefeito e os secretários da Casa Civil, Pedro Paulo, e de Educação, Cláudia Costin, debateram as principais mudanças do plano com todos os setores impactados pela greve.

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