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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Adolescente beijou foto dos pais antes de ser morto em confronto com a PM


NÓS TEMOS DOIS CAMINHOS.
SEGUIU O CAMINHO ERRADO ACABA ASSIM.
Cristiane aguarda a remoção do corpo de Willian no morro da Caixa d’Água, em Mesquita
Cristiane aguarda a remoção do corpo de Willian no morro da 
Caixa d’Água, em Mesquita Foto: Mazé Mixo / Agência O Globo
Morto durante troca de tiros com a PM na manhã de ontem, no Morro da Caixa d’Água, na Coreia, em Mesquita, Willian Luiz Pereira Leite, de 16 anos, parecia pressentir o que aconteceria. Na noite anterior, ele tirou uma foto de si mesmo e entregou para a tia, com a recomendação de que ela guardasse. Em seguida, beijou a foto dos pais e saiu.
— Antes de ir embora, ele ainda disse que me amava — contou Cristiane Cerqueira, de 36 anos, após reconhecer o corpo de Willian.
Naquela mesma noite, ele não voltou para casa, na Chatuba, onde morava com a tia. Cristiane, que tentava recuperar o sobrinho, parecia que também pressentia o fim trágico do adolescente: sem sono, passou a madrugada de ontem observando o retrato.
— Olhei para a foto até umas 3h. Agora vou revelar a imagem e guardar para mim, como ele pediu — contou a tia, emocionada: — Eu estava tentando recuperá-lo, tirá-lo dessa vida. Ele queria um tênis, a gente comprava. Ele queria roupas, a gente dava. Agora vamos ter que comprar um caixão.
Willian Luiz Pereira, morto aos 16 anos
Willian Luiz Pereira, morto aos 16 anos Foto: Reprodução / Agência O Globo
PMs ameaçados
Os policiais foram ao Morro da Caixa d’Água após receberem denúncias de que traficantes atacariam PMs que moram na região. Na Rua Caruaru, houve o confronto.
— Fomos recebidos a tiros por cerca de sete bandidos. Revidamos e todos correram — contou um dos militares que participaram da operação de ontem.
Willian, conhecido como Sapinho, levou um tiro no peito e caiu. Segundo o registro de ocorrência na 53ª DP (Mesquita), havia uma pistola ao lado dele.
Os PMs fizeram um cerco e conseguiram prender Ericles Sigolo, o Beirinha, de 18 anos, além de dois menores.
Memória: policiais são expulsos de casa
Policiais militares que moram no Morro da Caixa d’Água já vêm sofrendo ameaças há pelo menos seis meses. Foi no dia 9 de janeiro que o EXTRA revelou a expulsão de três PMs da comunidade.
Segundo o relato deles, os bandidos chegavam à noite, armados de pistola e fuzil, e montavam guarda em frente à casa de cada um. Temendo por suas vidas e de seus familiares, eles tiveram que deixar os imóveis.
Após a denúncia, a PM ocupou o Morro da Caixa d’Água e identificou o principal autor das ameaças: Guilherme de Lima Francisco, o Foca, de 18 anos. Ele foi morto durante confronto com a Polícia Militar em Austin, Nova Iguaçu, em junho. Os dois bandidos que seriam seus sucessores, Nicson Trigueiro e Jeferson Silva, foram presos três dias depois.
— Foi quando as ameaças diminuíram — afirma o delegado Victor Barbosa, da 53ª DP (Mesquita).


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